Inaugurando a série de entrevistas com opsófagos, conversamos com o chef, pesquisador, escritor, empreendedor, amigo da boa comida e do blog, Eduardo Avelar. Seu nome é referência para todos que se interessam pela gastronomia mineira. Não é difícil saber a razão. Décadas de dedicação no trabalho de pesquisa e divulgação das riquezas gastronômicas de Minas construíram uma trajetória de reconhecimento, traduzida em seu respeitável currículo:

Chef de Cozinha formado pelas escolas francesas Cordon Bleu Cuisine et Patisserie de Base – Escola Le Cordon Bleu e na Ritz Escoffier Cuisine et Patisserie Superior Hotel Ritz.
Criador e diretor da Conspiração Gastronômica, responsável pelo desenvolvimento e divulgação da cultura culinária de Minas Gerais no Brasil e no mundo. Palestrante em diversos festivais de Gastronomia como Madrid Fusion (Espanha), Feira Internacional do Livro em Frankfurt (Alemanha), Apresentação Culinária Mineira para a Copa do Mundo – Montevidéo (Uruguai). Jurado em inúmeros festivais e concursos. Apresentador de programas de rádio e de TV.  Editor de gastronomia em grandes jornais e revistas. Colaborador em diversas publicações literárias. Consultor do SEBRAE e editor da revista Territórios Gastronômicos.

 

OPS – Segundo os dicionários, opsófago significa amigo da boa comida. Para você, o que é a boa comida na atualidade?

EA – Boa comida: na atualidade e sempre, simples ou trabalhada, crua ou cozida, bonita ou nem tanto, de preferência compartilhada mas que, em cada um dos sentidos que precedem o paladar, te faça viajar no tempo e no espaço, te remetendo a algo bom, aconchegante, a alguém de seu carinho especial, e ao ser percebida e apreciada pelas papilas, te faça querer ficar por lá onde foi transportado.

 

OPS – Na sua opinião, quais as maiores potencialidades da gastronomia mineira e o que falta para que se realizem?

EA – As pessoas e suas competências individuais, das mais simples aos melhores cozinheiros e demais profissionais da cadeia, e para que esse caminho de crescimento e reconhecimento se torne de mão única para o mundo, cada um deve, acima de tudo, se orgulhar do que faz apoderando-se de sua importância e representatividade, sem excessos bairristas, e trabalhando na coletividade unidos, respeitosos e respeitados, assim como angu com galinha e quiabo, canjiquinha com costelinha ou tutu com linguiça e couve.

 

OPS – Em relação a outras gastronomias regionais, como você situa a gastronomia mineira em termos de reconhecimento?

EA – De fora pra dentro muito respeitada, mas ainda equivocadamente pois, tem muito a ser revelada. De dentro pra fora, pouco conhecida e reconhecida, temperada com excessos de diminutivos, preconceitos e de humildade. Esse mantra, repetido em todo o interior…“num repara não viu???… é comidinha simples … “ tem que mudar, assim como as atitudes dos grandes profissionais que ainda se intimidam de ocuparem seus lugares com respeito, porém sem subserviência às estrelas dos grandes centros. Para ser realmente respeitada, Minas precisa conhecer Minas e suas culinárias regionais que representam a síntese do Brasil, historicamente, com imensa diversidade de sabores e saberes e acima de tudo com uma relação única entre as pessoas, os fogões, fornos e panelas.

 

OPS – Você é o precursor da sistematização do comer geográfico em nosso estado. Qual a influência da geopolítica na identidade gastronômica de uma região?

EA – Na realidade o mapeamento gastronômico do estado foi proposto abordando-se três vertentes de observação e experimentação. O território físico ou o terroir, onde a geografia e os biomas formam o DNA dos produtos, incluindo os costumes de transformá-los. O território cultural, onde as migrações e a história de cada lugar determinam as práticas alimentares e, como terceira vertente, particularidades regionais em cada etapa da cadeia produtiva, que são determinadas a partir da conjunção das vertentes anteriores. A geopolítica na definição das identidades regionais tem uma função ainda a ser aprofundada, pois os limites utilizados de fronteiras entre municípios são linhas tênues e podem extrapolar as atuais fronteiras cartográficas. Mas certamente as identidades gastronômicas definidas em micro regiões, mesmo que ainda em fase de estudos, servirão de esteio para o desenvolvimento de projetos estruturadores, calcados na valorização, na divulgação e no marketing de cada produto ou referência gastronômica. Ótimas oportunidades para empresários e gestores investirem nessas políticas desenvolvimentistas e sustentáveis.

 

OPS – Conhece alguma experiência similar ao projeto Territórios Gastronômicos em outros estados?

EA – São quase 20 anos de estrada e estudos e ainda, infelizmente, não encontrei outras iniciativas com este propósito de cobrir toda extensão de um estado ou região. Conheço algumas rotas de costumes alimentares demarcadas, mas ainda ínfimas se considerarmos as dimensões territoriais do país, sua imensa diversidade cultural, e com os mais importantes e ricos biomas do planeta.

OPS – Em 2010, junto com grandes expoentes da gastronomia mineira você criou a Conspiração Gastronômica. Passados sete anos, quais os planos da Conspiração?

EA – Após um período em estado latente, encapsulada pelo desconforto com os efeitos de uma divisão nos rumos e ideias que andavam na contramão das propostas desta OSCIP, graças ao resgate do leme na condução do segmento pela proposta da Frente da Gastronomia Mineira, a Conspiração está de volta para trabalhar pela nossa gastronomia, agora em âmbito nacional e vários projetos estão em andamento.

OPS – Passando para o cenário nacional: vários produtos brasileiros encantam o mundo por sua qualidade e diversidade. O talento dos nossos cozinheiros é internacionalmente reconhecida. Ainda assim, não temos uma identidade gastronômica para chamar de nossa. Você concorda? Por que isto acontece?

EA – A gastronomia somente nos últimos anos despertou o interesse das pessoas como um segmento cultural com potencial transformador para o desenvolvimento econômico e social das regiões. Ainda se tratam essas questões regionalmente, como é o caso do Atala, nosso grande representante das altas cozinhas que trabalha especialmente a cozinha amazônica, além de algumas outras iniciativas ainda tímidas, volto a afirmar, frente ao grande potencial que o país representa nesta área. Contudo, eventos patrocinados por grandes veículos de comunicação ou com o seu respectivo apoio, mediante conceitos que privilegiam a diversidade do pais, contemplando a culinária e os profissionais de todas as regiões, estão colaborando para que esta unidade nacional possa encontrar uma identidade .

 

OPS – Você visita blogs de gastronomia? O que achou da proposta do Opsófagos?

EA – Sempre que posso viajo um pouco entre as linhas dessa sopa de letrinhas que se transformou nossa gastronomia. Vejo um pouco de tudo, mas ainda não tinha me deparado com uma proposta genial e democrática como esta, que se diz simples, mas que tem, na sua essência e no seu nascedouro, a sofisticação da sensibilidade, inteligência, bom humor, com a promessa de muita resenha e sabor. Parabéns! Vida longa, OPS!

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35 comentários

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