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MINDFUL EATING: O QUE É ISTO?

Longe de ser algo recente, a inspiração para o mindfulness vem sendo praticada há mais de 2.500 anos dentro dos templos budistas. Os cânones do budismo pregam que o caminho para a libertação é composto por oito passos. O sétimo deles é o cultivo de um tipo de consciência específica, garantidora da atenção plena. Várias técnicas foram desenvolvidas pelos monges para alcançar o Nirvana. No início dos anos 1970, um professor da Universidade de Massachusetts trouxe o conceito da atenção plena para o mundo acadêmico. Lá, ele foi aperfeiçoado para a retirada dos aspectos religiosos, de modo a configurar-se como um método científico. Desde então, houve um verdadeiro boom no uso do mindfulness para os mais variados propósitos. Isso se deve ao fato de que as comprovações dos benefícios desta técnica – resultado de inúmeras pesquisas científicas – simplesmente multiplicaram nos últimos anos. A Revista Time chegou a considerar o sucesso uma “Mindful Revolution”, que ocorre em todas as áreas do conhecimento, do mundo corporativo e do cotidiano das pessoas.

No livro Cozinhar – uma história natural de transformação, Michael Pollan afirma que um dos lados bons de preparar comida é o tempo que temos para refletir. Defensor do retorno das pessoas à culinária caseira, o escritor usa o ditado “ao picar cebolas, simplesmente pique cebolas” como analogia para que, com foco e persistência, as pessoas retomem o hábito ancestral de cozinhar. O princípio nada mais é do que a aplicação do conceito de mindfulness à gastronomia. A atenção plena, que é essencial para superar eventuais dificuldades na preparação de uma refeição, também pode ser aplicada ao ato de comer.

Neste contexto, surgiu o movimento Mindful Eating – Alimentação Consciente. Praticado no Brasil desde a década de 1990, o Mindful Eating ou Eatfulness é um conjunto de técnicas que contribuem para (re)conectar as pessoas com os alimentos de uma maneira saudável.

Segundo o The Center for Mindful Eating* os princípios da alimentação consciente são:

  • Permitir que as pessoas compreendam as oportunidades positivas advindas da escolha e preparação dos alimentos, respeitadas suas convicções individuais;
  • Utilizar todos os sentidos na escolha de alimentos que são ao mesmo tempo gratificantes e nutritivos;
  • Reconhecer respostas aos alimentos (gostos, desgostos ou neutros), sem julgamento;
  • Conscientizar-se dos sinais físicos de fome e de saciedade na hora de decidir começar ou parar de comer.

O Centro identifica a pessoa que se alimenta conscientemente como aquela que:

  • Reconhece que não há forma certa ou errada de comer, mas sim diferentes níveis de conscientização em relação à experiência com a comida;
  • Aceita que as experiências alimentares são únicas;
  • Dirige sua atenção para comida, voluntariamente, momento a momento;
  • Conscientiza-se de como fazer escolhas que favoreçam sua saúde e bem-estar;
  • Compreende a conexão entre a terra, os seres vivos, as práticas culturais e o impacto de suas escolhas alimentares nestes sistemas.

Grandes empresas já perceberam o potencial de transformação do Mindful Eating e estimulam a prática entre seus colaboradores. Não só porque o comer consciente promove bem-estar físico e mental, mas também porque desenvolve atenção e foco em outras atividades cotidianas. No trabalho, inclusive. A Google, por exemplo, reserva um dia na semana para que seus funcionários apliquem as técnicas durante as refeições.

O caráter democrático (todos podem praticar), a facilidade de praticar (não requer hora, lugar ou equipamento) e a ausência de riscos aos praticantes, fazem do Mindful Eating um grande aliado para quem quer transformar sua relação com a comida, consigo mesmo e com o planeta. Comer sentindo o sabor da comida é rebelar-se contra a ideia de que as interações humanas são processos econômicos. Pelo retorno ao hedonismo da comida.

Mais informações em:

The Center for Mindful Eating

Centro Brasileiro de Mindful Eating

*Os princípios podem ser reproduzidos ou distribuídos para fins educacionais somente. Creative Commons Licensing.

*Tradução livre feita pelo blog.

 

 

 

 

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